Saturday, July 14, 2007

Pratyabhijñâhrdayam (versão original)







  1. A consciencia absoluta, graças ao seu livre e espontaneo movimento, provoca, mantém e reabsorve o universo.



  2. A consciencia tem o poder de estender a realidade face ao seu próprio espelho.



  3. A multiplicidade ficcionante do universo aparece a través da relação sujeito-objecto.



  4. O experimentador cuja consciência é contraída vê o mundo de forma contraída.



  5. A consciência absoluta devém consciencia individual graças a essa contração, provocada pelos objectos da consciencia.



  6. A consciência individual é a consciencia absoluta.



  7. Porém, quando a consciencia aparece como dual e a dualidade está revestida pelo manto da ilusão, a consciencia fragmenta-se e toma a forma dos 35 tattva.



  8. Desse modo todas as posições filosóficas surjem como papeis jogados pela consciencia absoluta
    Quando o conhecimento, o desejo, o espaço, o tempo e o poder de realização são limitados pela consciência individual, a shakti é limitada.



  9. Mas mesmo na versão obscurecida, o si limitado é de natureza absoluta.



  10. O si manifesta, saboreia, espacializa, fecunda e dissolve todos os obstáculos. Esta é a visão dos yoguis e yoguinis.



  11. Transmigrar é estar na ilusão da separação e não reconhercer a visão dos Sidda.



  12. Ao abrir-se a esse conhecimento, o si limitado torna-se o si absoluto.



  13. O fogo do alto conhecimento queima. Ele consome toda a consciencia fragmentada e todo o objecto.



  14. O poder do reconhecimento da natureza efectiva do mundo engloba todas as coisas.



  15. Atingir a felicidade é realizar que o conhecimento absoluto é a nossa autentica natureza.



  16. Abrir o centro do coração é a felicidade do espirito.



  17. O yoga pratica-se concentrando-se sobre o coração, pelo retorno das formações mentais e edas percepções do espaço, a percepção continua da espacialidade subjacente às formações e às percepções, o estremecimento permanente da kundalini, o damadhi na realidade, o incessante retorno ao não-formado através do sopro e dos mantras, a circulação dos ares entre corações.



  18. Finalmente o samádhi instala-se defenitivamente através da fusão da experiência interior e da realidade.



  19. É então que se establece no si supremo, essencia da consciencia, autonomia e felicidade.


  20. A realidade inteira é emanada e reabsorvida no si absoluto.


  21. A natureza da Shiva é realizada.

mantrialismo






Poliateismo mas no sentido de não acreditar num ateísmo radical nem num agnosticismo mole e suspensivo – e aceitar as virtudes do mantrialismo, isto é, da matéria como diversidade vibratória.

Poliateismo como um ateismo não-reactivo, mas também como um ateísmo não mole. Um ateismo que não seja rançosamente moral, nem empenhadamente transgressivo. Um ateísmo que não exclua os deuses como possibilidade matéria (mantrérica), como canalização vibratória, como ficção eficaz que unifica vários asprectos.

105 TESÕES



1. O HOMEM É UM CARNIVORO QUE SE FAZ CARNE.
2. O HOMEM É UM MAMÍFERO QUE SE MAMA
3. O UNIVERSO É OS MESSIAS MISSEGENADO-SE COM TUDO.
4. A CRIATURA É O UM QUE SE TEATRALIZA NO MÚLTIPLO.
5. O POLITAEISMO É ATEISMO E VICE-VERSA: POLIATEISMO.
6. OS DIVERSOS SENTIDOS SÃO AS IMPLOSÕES DOS MESSIAS.
7. OS SENTIDOS SÃO O TRAVESTIMENTO DOS DEUSES.
8. A DESIGUALDADE É ANTERIOR ÁS ESTRELAS.
9. AS ESTRELAS SÃO PEIDOS DOS MESSIAS.
10. AS GALÁXIAS SÃO ESTRELAS SINDICADAS.
11. TODA A VIDA É A PARTILHA DA CARNE QUE SE FAZ CARNE A PARTIR DE UM LOGOS MUITO NEGRO.
12. AS SOCIEDADES DOMESTICAM OS MAMÍFEROS PARA QUE ESTES MAMEM SOCEGADOS.
13. A DESIGUALDADE DAS CRIATURAS É CONSEQUÊNCIA DAS DESIGUALDADES ANTERIORES ÀS ESTRELAS.
14. TODO O ZERO É PAVÃO.
15. O HOMEM É UM PAVÃO E UM PARVALHÃO.
16. O HOMEM É UM BICHO QUE QUER REGRESSAR A UM LOCAL QUE DESCONHECE.
17. O HOMEM É UM LOBO QUE UIVA INTERIORMENTE.
18. OS ELEMENTOS COZINHAM-NOS OCULTAMENTE
19. O SOL É SODOMITA.
20. A LIBERDADE DAS CRIANÇAS OPRIME OS PROGENITORES.
21. O CORPO É MAIS LIVRE QUE A CRIANÇA.
22. VÁRIOS MESSIAS LIBERTAM MAIS E ENGANAM MENOS.
23. O CORPO E O ESPIRITO SÃO INDISSOCIAVELMENTE IMPUROS.
24. CADA UM SE MULTIPLICA PARA ABRAÇAR A UNIDADE.
25. A PORCARIA É A COMPLEXIDADE. A COMPLEXIDADE AUMENTA AS SENSAÇÕES.
26. O MICROCOSMOS ACTUA SOBRE O MACROCOSMOS COMO UM VIRUS.
27. AS REDES DE COISAS APROXIMAM-SE E AFASTAM-SE UMAS DAS OUTRAS.
28. A VIDA É UMA EXCRECÊNCIA LIQUÍDA.
29. A EXTINÇÃO É A TENDENCIA ENDURECEDORA.
30. OS LEOPARDOS DEIXAM MANCHAS NO SANTO MAIS PURO.
31. A TERRA É AINDA MAIS TELURICA DO QUE JULGAS.
32. A VIDA É COMPLEXIDADE TOPOLÓGICA QUE SOBRA À IMANENCIA MATÉRICA.
33. A RIQUEZA É ENERGIA COLATERAL.
34. AS TEORIAS DEVOLVEM EXPLENDOR AOS ASTROS.
35. HÁ UMA INTELIGENCIA DAS INTELIGÊNCIAS QUE SE DIVERTE.
36. NÃO NOS LIVRAMOS DA CRUELDADE ENQUANTO FORMOS ESSENCIALMENTE DOMÉSTICOS.
37. CADA MAMÍFERO MERECE MAIS MAMAS.
38. A DESIGUALDADE COMPENSA-SE NAS DANÇAS.
39. AS DIVISÕES DO MUNDO EM PEQUENAS PARTICULAS DÃO A ILUSÃO DE QUE TUDO É COMBINATÓRIA.
40. SOMOS DOMÉSTICOS QUANDO NOS CONFINAMOS A UM PLANETA.
41. ALGUNS HOMENS TÊM PRAZER EM SER SERVIS. OUTROS NÃO.
42. OS HOMENS PODEM RELACIONAR-SE COLM OS BICHOS SEM DOMESTICÁ-LOS, MATÁ-LOS OU VIVER SEGUNDO AS SUAS REGRAS.
43. OS FILÓSOFOS IMAGINAM-SE DENTRO DE CETÁCEOS.
44. PLATÃO FAZ MALABARISMOS COM A LINGUAGEM.
45. O DINHEIRO É MENOS MAU DO QUE SE PENSA.
46. AS NOSSAS CAPACIDADES SÃO O ÚNICO VERDADEIRO CAPITAL.
47. AS TREVAS APROXIMAM AS CRIATURAS.
48. A ÀGUA NÃO SACIA TODA A SEDE.
49. TUDO É CONSPURCANTEMENTE NATURAL.
50. O LOGOS É A BELEZA EM EXPANSÃO.
51. O PENSAMENTO É CANIBAL.
52. NÓS GOSTAMOS DE DESAFIAR OS SENTIDOS SEM DESCONFIAR DOS SENTIDOS. 53. A MONOTONIA É O MONOPÓLIO DE UM DEUS ESTÚPIDO.
54. A FRONTEIRA É A IRONIA MORFOLOGICA DE UMA METAMORFOSE.
55. AS SINGULARIDADES ABREM O APETITE.
56. A VIDA SURGE EM CLIMAS TEMPERADOS.
57. NÃO É PRECISO CONVERTER OS OUTROS À NOSSA VITALIDADE.
58. A PROPAGANDA É INSATISFAÇÃO DOS MONOPÓLIOS COM O QUE LHES RESISTE.
59. AS EMOÇÕES SÃO O LUCRO DO QUE RETORNA NOSSO.
60. A REVOLTA É A EMPATIA COM UMA METAMORFOSE FORTE.
61. A LUZ SENTE-SE ATRAÍDA PELAS GEOMETRIAS.
62. A PRÁTICA DA PROPORÇÃO E DA GEOMETRIA AFINA-NOS ERÓTICAMENTE.
63. A MISSEGENAÇÃO PREPARA-NOS PARA TODOS OS CLIMAS.
64. A ESPERANÇA É A PILHA MESSIANICA.
65. AS NAÇÕES SÃO EMPATIAS ENTRE LOCAIS À PROCURA DE SER MAIS.
66. AS CIDADES SÃO ESPAÇOS ONDE A INTERACÇÃO ENTRE HUMANOS É FABULOSA.
67. NAS CIDADES QUEREMOS SER MAIS PARA MUITOS.
68. O QUE VIBRA NO CORPO É MAIS QUE A VIBRAÇÃO DO CORPO.
69. A JUVENTUDE É UMA EXPANSÃO À PROCURA DE ESPAÇO.
70. O CORPO É UMA ADIVINHA QUE TEMOS QUE PRATICAR SEMPRE.
71. A CRIANÇA É DEMASIADO SIMPLES PARA QUE POSSA USUFRUIR PLENAMENTE DE TODAS AS CAPACIDADES.
72. A VIDA PRECISA QUER DA ACÇÃO QUER DE UM CERTO REPOUSO.
73. QUANDO AMAS AS CORES ACHAS QUE A CLARIDADE E A ESCURIDÃO SÃO OPORTUNIDADES DE VARIAÇÃO.
74. A VIOLÊNCIA SURGE ONDE A METAMORFOSE FALHA.
75. O PROPAGANDA É A TENSÃO DA VIOLENCIA EMINENTE.
76. A POPULAÇÃO É A OPORTUNIDADE DE MAIS PREDAÇÃO SEXUAL.
77. O AMOR É A PROPENSÃO PARA ROUBO MÚTUO DO ALHEIO.
78. A BUROCRACIA É A CONSEQUÊNCIA LITERAL DO MONOTEÍSMO.
79. A ERISTICA É A VONTADE DE VARIAÇÃO, MAIS DO QUE DE PODER.
80. AS ORQUIDEIAS FAZEM-NOS MAIS MOVEDIÇOS.
81. A LOUCURA É UMA DESORGANIZAÇÃO EM TRANSIÇÃO.
82. O CORPO É O LUGAR QUE NOS DÁ ACESSO AOS LUGARES.
83. CHAMAMOS ESPIRITO OU MENTE AO QUE ORGANIZA AS NOSSAS ORGANIZAÇÕES LIVREMENTE.
84. A MÚSICA TORNA MAIS EVIDENTE A VIBRAÇÃO SUBJACENTE DO MUNDO.
85. SOMOS PREDADORES DE CONHECIMENTO E DE LIBERTAÇÃO.
86. A EMPATIA É O SEXO DISTRIBUINDO-SE DESIGUALMENTE.
87. A LIMPEZA É UM SENSAÇÃO AGRADÁVEL QUANDO SE ALTERNA COM A JAVARDICE.
88. AS DROGAS SÃO VÍCIOS MONOTEÍSTAS.
89. O VIGOR PREFERE A SABEDORIA DAS AMBIGUIDADES AO SOCEGO DAS CERTEZAS.
90. O QUE É FRÁGIL É ÁGIL.
91. O QUE É RIJO CHEIRA A MORTE.
92. A SABEDORIA É UMA IMAGEM TIMIDA DE UMA EMBRIAGUÊS NATURAL RESULTANTE DE UMA SIMPATIA GENERALIZADA.
93. A PRUDÊNCIA É O QUE NOS PERMITE VISLUMBRAR AS ÀREAS DE OPORTUNIDADE NA AGITAÇÃO DO TURBILHÃO.
94. SACA MAIS O JÁ.
95. O TEMPO É A RESPIRAÇÃO DO QUE LHE É SUBJACENTE.
96. O KAIROS É UMA ATENÇÃO A QUERER DESENTRANHAR UMA OCASIÃO.
97. SÃO AS OPORTUNIDADES QUE NOS TORNAM MAIS CARNAIS.
98. A LINGUA É UM TACTO FORTE E NOJENTO PROCURANDO CRIATURAS DOCES.
99. A CARNE É O QUE TRANSPIRA COM O TEMPO.
100. NÓS TEMOS A ALEGRIA ECLÉTICA DOS HERETICOS.
101. A NATUREZA É AQUILO QUE EU AINDA NÃO SEI.
102. A DISSOLUÇÃO É LÚBRICA.
103. A MÁSCARA É A SOCIABILIZAÇÃO COM OS DEUSES E O ABSOLUTO.
104. O REAL IMITA O QUE É POTENCIALMENTE CAPRICHOSO.
105. AS PERCEPÇÕES SÃO ERÓTICAS MUITO ANTES DE SEREM HERÉTICAS.

Wednesday, May 30, 2007

Pratyabhijñâhrdayam versificado (traduzido)





Homenagem a Shiva
O que performa continuamente os 5 actos,
O que faz surgir as derradeiras evidências,
Emergência homogénia de prazer e consciência.
A consciência é livre
É a causa do mundo,
É liberdade e aquele que conhece
É a realização.
Dela nasce o mundo
Do seu fundo, pelo seu desejo
Diferenciando sujeito e objecto diversamente
Segundo multiplas formas.
A diversidade do mundo existe
Em virtude das diferenciações do objecto,
Ele une-se nessa diversidade
No alto e no baixo, de inumeros modos.
Embora a consciencia seja o Divino
Ela torna-se Atman quando se contrai.
Os sábios sabem que a forma do mundo
É como uma àrvore na sua semente.
A consciência é a nossa essência
Absolutamente pura e limpida.
O Atman, quando desapegado do que limita
É a consciência.
Voltada para os objectos
A consciência descansa no Atman.
Os sábios dizem que a consciência devem Atman
Quando a contração se torna dominante.
O sujeito ilusório é o ser incarnado.
Ele recebe a sua existência dessa consciência.
Ele apega-se às coisas
Privado do discernimento justo.
E o Um parece múltiplo.
Por causa dos aspectos e das qualidades como a ligeireza.
Surgem os 7 tipos de sujeitos conhecentes
Assim como os 36 tattvas.
Um, omnipresente,
O divino é pura consciência.
Essa é a libertação, evidente
Pelo perfeito conhecimento da subjectividade.
Conhecido como sendo os 7 sujeitos conhecentes
E os 36 tattvas
O grande Senhor procura
Essa fortuna que é a libertação.
Serguramente, as doutrinas não passam
De personagens (representados) por ele, segundo seu desejo,
Como personagens ficiticias
Assumidas por um actor.
Da mesma forma, o Si imenso,
Que é felicidade e consciência
É alimientado pelo seu próprio desejo.
Ele assume diferentes pontos de vista devido à sua plenitude.
O Si estende-se na manifestação do divertimento
Do gozo e da consciência.
O Atman macula-se no Samsara
Porque está contraído pelos seus próprios poderes.
«Sou imperfeito», assim se suja
Por multiplas máculas
- de finitude, relativa à Ilusão e aos actos –
Quando ela é o Soberano vigilante dos mundos.
Identicamente, o Soberano
Efectua os cinco actos
Da mesma forma que o Si (limitado) o faz
Abandonado pelos seus próprios poderes.
O senhor dos Poderes é famoso
Entre os seus adeptos
Graças à expansão do Poder.
A criatura transmigrante é contraída devido à contração do Poder.
Uma vez que, seja qual for a forma da Ilusão
Que ele deseje ver
Temos que saber que é uma criação do Si.
Julga-se que o Poder é subsistência.
Julga-se que a Deusa
Tendo reabsorvido o Samsara
O retoma na unidade da consciência.
A ocultação dessa essência é o encobrimento.
Assim, o processo
Do quintuplo jorrar é sempre próximo.
Conhecido, ele é como jóia que atiça os desejos.
Se desconhecido, é como a madeira na lama.
Quem o cultiva continuamente
Pela força de uma correcta tomada de consciencia
Livra-se de todas as amarras.
Torna-se permanente desfruto.
Quando o fogo da consciência devorante
É bem acordado,
Esse fogo imaculado
Consome todo o conhecido.
O yogui unido à sua força
Possui os signos do Nirvana.
Com segurança ele atinge sem demora
O limpo dominio.
Ainda que o fogo da consciência tenha sido obtido
Aparece no entanto o universo que é consciência.
Essa manifestação da ambrosia do desfruto de Si
Revela-se ao exterior.
E isso mesmo, cristalizando-se
Surge sob a forma de fenomenos.
Shiva, o grande senhor que é o nosso Si,
O soberano supremo, diverte-se.
O que continuamente vê isso
Liberta-se, num instante
Ele liberta a totalidade das criaturas
Das amarras do horrível Samsara.
«Aquele que possui a força da felicidade
Mantem-se no dominio da sua própria essência»:
Deste modo, aquele para quem
O brilho da alegria surgiu,
Que reposa na sua essência
Chega a esse estado mesmo após o samadhi.
Em virtude da essência da sua preserverança
Ele é solicitado pelas criaturas.
A felicidade da consciência desponta
Pela expansão do dominio do coração.
Quando emerge, a visão divina,
Também surge em forma de conhecimento.
Imaculada, luminosa, pura,
Felicidade eterna, suprema,
Sem chegar a cortar o cordão umbilical,
A visão que é conhecimento propaga-se.
O poderoso método
Para propagar o coração
É multiplo:
Aniquilamento de vikalpas, propagação, contração, etc.
É pensando em nada
Que se aniquilam os vikalpas.
Quando a consciência desperta
A Shakti que emerge apodera-se do manifesto.
Tendo-se deles apoderado
Vislumbramos o fluir divino.
É esta contração da Shakti
Que é ensinada pelos partidários passivos do Brahman.
A absorsão no nâda e no bindu,
O repouso das extremidades iniciais e finais,etc.;
Apoderar-se da repulsa e da cólera,
Do mêdo e da incerteza:
Assim se ensina, ó deusa,
O que faz alastrar o centro.
Se ele se desenvolve, é em poucos dias
Que atingirá o dominio supremo.
Aquele que cultiva
As impressões do samadhi interior
Sem impurezas, toma cada vez mais consciência
Pela mera força da correcta tomada de consciência.
A sua essência revelar-se-á inteiramente,
Mesmo depois do samadhi.
Esse yogui que se instala no despertar
É para sempre feliz.
A consciência do yogui
Projecta-se perfeitamente.
Ela é a subjectividade perfeita
Feita de luz, ela é a vitalidade dos mantras.
Nela se divertindo
O yogui habita no dominio do Senhor dos Mantras.
Entregando-se a isso, ele diverte-se enquanto Soberano
Alimentado pelas Shaktis.
Assim a liberdade do mestre dos mundos, ubiqua
Possui multiplos aspectos,
Existe polifórmicamente.
Ela é uma governação indivisa.
«Ele é sem-segundo»:
Esta é, diz-se, a alta ambrosia que é o conhecimento.
Aquele que a bebe
Neutraliza esse poderoso veneno que é o Samsára.
Este método para tornar a consciência evidente
Destina-se a oferecer Shiva aos magnanimes.

Este ensinamenrto completamente imaculado.
Extraído do oceano da consciência perfeita
É da autoria de Kshemarája.

Wednesday, April 18, 2007

urinol (pausinhos ao sol)


A destruição/dano do «original» urinol de Duchamp consumada à uns meses.


Vai-se mumificá-lo?


É a destruição um resultado da lógica duchampiana.


No fundo duchamp foi um futurista (dos que queriam queimar os museus).


O nu desce as escadas e vem partir os ready-mades.


O ruído dos futuristas tornou-se secreto (à bruit secret).


Os inevitáveis ruídos secretos... mesmo post-mortem...

o extase perpétuo do irrequieto-quieto pensamento


«thought is performance»



  1. O pensamento é performativo?

  2. O pensamento é «stasis performativa»?

  3. A acção é raramente pensamento?

  4. A acção é pensamento diluindo-se no «mundo»?

  5. A inacção é através do pensamento acção?

  6. O pensamento é, na acção, a excepção da acção?

  7. O pensamento é o sumo da acção?

  8. O pensamento é a acção tentando comprimir-se na utópica inacção?

  9. A inacção é uma utopia (tudo no mundo é acção), como uma espécie de morte radical?

  10. A inacção é o máximo de potência da acção?

We cannot escape performance.


Make of your life the best performance.


Kiss your thoughts.


Think in perpetual extasis.

Thursday, April 12, 2007

abdul varetti/alvaro lapa 2


Sendo a vida uma arte, a linguagem será universal (cfr. Rimbaud), incluíndo TUDO.


A linguagem afastar-se-á do consenso, e exprimirá o desejo e a imaginação.


Sendo o ,«exterior» à imagem do «interior», a vida será uma obra de arte. As obras de arte do passado serão tidas por curiosidade arcaica. Algumas serão conhecidas e estudadas.


O «artista» será confrontado com o «político» e com o «sábio». O artista será louvado, os outros excluídos.


As obras de arte terão uma existência exclusivamente lúdica. A experiência directa, dos vários mundos, suprirá com enigmas e presenças.


O amor e outras actividades de relação serão públicas e tribais. Eles serão reis e elas raínhas.


Uma guerra planetária deprimirá a humanidade actual. Depois o homem, envergonhado, conhecerá o horror dos ídolos.


A mais bela forma de ser será a preferida, depois que os homens reconhecerem os seus tiranos, no interior de si mesmos.


Um anarquismo integral, de produção natural, será a forma que se antevê irá ser escolhida pela humanidade emancipada.


A «vida» e a «morte», indistintas finalmente, serão sentidas na sua raíz comum, como formas de ilusão e alegria excepcional.



Nem tudo o que lapa/varetti diz é das minhas ganas, mas o programa de fundo já é algo tretatérico, com o indispensável idealismo que as picuinhices da vida levam na prática a algumas traições - reconheço-me nas «formas de ilusão e de alegria excepcional» e nisso recomendo o alegre Sofista Górgias quando diz que «aquele que ilude é mais justo que o que desilude, e aquele que é iludido mais sábio que o que não se ilusiona». O nosso doce e leve cepticismo consegue coincidir com esta capacidade de se deixar embalar pelas ilusões, conhecendo, como quem não quer a coisa, os seus mecanismos.

Wednesday, April 11, 2007

as profecias de abdul varetti (parte1)


cito àlvaro lapa, percursor do gangsterismo, na versão profeta-frique de abdul varetti


Os deuses, adormecidos, vão recuperar a atenção do homem livre. A curiosidade e a crença florirão.


As crianças chamar-se-ão criançasd, e os adultos crianças evoluídas.


O sono e a morte serão mais uma vez equiparados. O homem aprenderá a morrer.


A amizade será livre. O amor não.


Os antepassados animais serão venerados, como uma das faces da realidade.


Haverá muitos vagabundos de ambos os sexos. Mover-se-ão entre as tribos, como agentes de experiências.


O dia e a noite deixarão de opor-se. A sua raíz comum na imaginação será reconhecida.


A experiência interior será transmtida, «ensinada», musicalmente.


O desejo será declarado. A linguagem e a acção enriquecer-se-ão permanentemente.


As religiões serão desconsideradas. A experiência mística será reconhecida, e um facto comunicável.


A casa, lugar de reposo, será individual e pessoal. As actividades de relação serão consagradas como tais, públicas e tribais.


Wednesday, April 04, 2007

impetos explicadistas


A graça implacável dos ímpetos geométricos

- explicar é configurar, isto é, entrar dentro de uma gramática de forças que se torna evidente através de esquemas geométricos

a geometria representa-se, e a represençar-se atrai conexões

quando Bateson fala de hierarquisação e de logical types não se refere a estes como uma pura necessidade de arrumação e de cedência às formas-forças que «arrumam»

o mesmo se passa com a leitura dos yoga sutras que se estrutura como uma ramificação

Friday, March 23, 2007



Parece-me evidente que o terceiro verso dos yoga sutra é uma defenição de citta (costuma-se dizer que é outra vez uma defenição de yoga), que não precisa de mais explicações, porque é uma palavra incontroversa e de uso frequente, sobretudo vulgarizado no vocabulário budista contemporâneo deste texto (qualquer que seja o século compreendido no vasto periodo de atribuição a «Patanjali»), da mesma forma que o quarto verso define o que é vrtti, que tal como nirodha precisa de divisões e subdivisões para aclarar , e simplificar a terminologia (e não obscurecê-la como o fazem excessivamente os «gurus»).



Mas também os vrittis são interpretados perversamente numa espécie de maniqueismo de quem não sabe ler literalmente. Por exemplo klishta-aklishta é uma e uma só palavra, tal como acontece com muitas outras palavras de junções de opostos ao longo do texto de Patanjali.

Dizer que os vrtti são klishta ou/e aklishta é não perceber que todos os vrtti trazem em si esta temível e maravilhosa propriedade de dar prazer e sofrimento, de mostrar o que é claro e enganarsimultaneamente. É uma caracteristica das linguas indoeuropeias este uso de contrários combinados numa só palavra.

O pensamento de Heraclito, que é o pensamento dos fluxos (dos vrtti) e que provavelmente até nem é desconhecido do autor dos Sutra é pródigo na multiplicação de palavras unindo contrários - o que flui, flui paradoxalmente, misturando o que a lógica, sobretudo aristotélica, separa.

E julgamos que a influência tardia da lógica aristotélica (sobretudo na «sistematização» dos darshanas) no pensamento indiano deverá ter desvirtuado as interpretações dos Yoga Sutra, dissociando o que neles é expressamente associado.

yogash citta-vrtti-nirodah





O termo yoga define-se suficientemente a si próprio - este segundo versículo dos yoga sutra, diz, através da definição òbvia de yoga (soma, união, etc.) o que é que citta-vrtti-nirodah quer dizer, isto é, um termo composto por três palavras, que estão somadas, ligadas, juntas, em interacção, e não uma palavra «nirodha» que domestica as outras.

É o que a gramática nos indica, através de uma única declinação no nominativo desse termo «uno e trino». Como é que uma noção «aumentativa» se faz passar por algo apenas «redutor»? É estranho! Yoga é assim a interacção entre três termos suficientemente ricos que o autor descriminará seguidamente um a um, como se tratassem dos três gunas do samkhya.

O horror aos aspectos supostamente nicivos dos vrtti fez com que estes, numa interpretação superficial fossem encarados como nocivos. O texto desmente constantemente esta hipótese. Os vrtti, por mais geradores de ilusão que sejam são também instrumentos e suporte de uma prática cuja direcção é somar e unir com vista ao samadhi e não reduzir e separar.







É certo que o primeiro versiculo (atha yoga anushasanam) também é explicito ao declarar aberta a sessão e exigir uma perpétua concentração no «agora» e na prática, o que


Yoga é a soma-ligação destas «partes», através da extrema e sátvica consciência de citta, através do rajásico e agitado suporte oferecido ao seguirmos (e aderirmos aos) fluxos ou vrtti, através da tamásica capacidade de reter, aprisionar e imobilizar de nirodha.

os dadarshanas



Há seis pontos de vista diferentes (darshanas) no pensamento «ortodoxo» indiano - a divisão e classificação, como todas, é tardia.


Quando surgiram os seus «mestres», populavam outros que não eram «excluídos» - materialistas, budistas, jinistas e inumeros pensadores cujo rasto desapareceu, em experimental guerrilha de ideias, num why not algo dadaísta.

Grande parte do pensamento indiano nasceu como polémica e refutação das práticas védicas, com os seus hinos mágicos ou mitológicos, com os seus rituais violentos, com o seu culto anicónico, senão mesmo «iconoclasta».


Os Upanishades mais antigos são diversos, algo amorais, e em boa parte anti-ritualistas, isto é, anti-védicos - os seus temas traduzem uma vigorosa contestação social, uma evasão das «cidades» para a floresta iniciada pelos «aranyaka».


As questões que formulam tornaram possiveis as especulações e as polémicas que deram origem a «religiões», seitas e darshanas. A geometria e o efeito ricochete da lógica das polémicas e das refutações é muito semelhante à que ocorreu em altura idêntica na grécia e na china.
As «possibilidades» do pensamento esgotam-se na ocupação dos lugares por elas oferecidos - os séculos encarregam-se de os tornar menos fluídos, mais legitimados e estanques. Falo disto como um prelúdio à minha «duvidosa» interpretação dos Yoga Sutras, provavelmente uma compilação de diversos tratados de «yoga».


Gosto da palavra yoga como ideia de «soma», de «ligação», de «ajuntamento», de pôr as coisas em interacção. A tradução da defenição primeira de yoga nos yoga sutra tem enfatizado precisamente o contrário ao insistir em traduções duvidosas do termo nirodha, chegando ao ponto considerar o yoga essencialmente como «supressão dos estados mentais». Será isto que diz o texto?

Saturday, November 11, 2006

towards a biohistory of art


Os homens convenceram-se que os deuses gostam de se autocontemplar como numa comédia violenta.

As máscaras e tudo o que na dissimulação se associa ao entusiasmo, tornam-nos parte de uma ficção a que chamamos com alguma incredulidade «o divino».

A inutilidade aproxima-nos da ideologia dos deuses. Mas não nos conformamos com a felicidade que nos é oferecida.

Deixemos os deuses ressuscitar os outros deuses.

Os remorsos deixam-se enterrar enquanto sementes.

A violência filo-sofica, consiste em afastar retóricamente os seus amantes fracos de uma amizade incendiária e combativa.

A génese de um pensamento pressupõe a sua destruição através do papagueamento.

A genialidade é a genitalidade dissolvendo-se como espuma no mundo.

A tarefa não é inverter o platonismo, mas carnavalizá-lo sintéticamente, fazendo emergir o seu explendor daquilo que ele parece negar.

O pensamento já não se pode descolar das imagens de onde aparenta se desentranhar. As imagens também estão, à sombra de uma bio-história da linguagem/natureza, defenitivamente conspurcadas pelos conceitos. É à sombra de um alegorismo híbrido e indestinado que as teorias prosseguem a sua bastarda caminhada.

O não-ser é um anti-molde processual que permite ao ser diferir-se em diferendos.



Pensar, no sentido filosófico, é o recreio do corpo – a criatividade do pensar surge da sua autonomia e da suposta impotência.

Os paradoxos tornam-nos sensíveis para os encadeamentos lógicos, como se estes fossem um circo de sincretismos a quererem provar implicações simplistas.

Estamos livremente encadeados e encadeando dissimulacros (ou «memes») – a empatia, a transição e a difusão de formas e emoções pressupõe fortes núcleos de dissimulação que agem profundamente sobre a propagação.

A história é menos um caleidoscópio dialético do que uma sucessão de ciclos que imitam diferidamente o calendário anual e as suas estações.

O sentido é uma pulsão predadora que se origina em si mesmo como acumulação de tensões cujas origens são tão velhas quanto os primeiros momentos do universo (caso exista algo assim) e cujos fins nem vale a pena procurar adivinhar.

Agradam-nos a multiplicação das complicações. Há no complicado um vontade de o superar e ser seu mestre.

Há nas articulações entre conceitos qualquer coisa de flatulento.

As coisas a que estamos habituados são não só as mais suspeitas, quanto pedem, para que sobrevivam, que exerçamos sobre elas uma guerrilha refutatória.

As revoluções cientificas procuram tirar os tapetes às convicções mais profundas, se bem que no fim quase tudo fique na mesma.

A história da civilização é a de uma adaptação a algo desadaptante.

O caracter acidental da singularidade que cada um é torna esta imanência mais acutilante e deseperada.

É o mundo que é o acidente do qual devemos disfrutar – ele necessita mais das nossas consciências do que as consciencias dele.

Não nos aquece nem nos arrefece o que podem dizer de nós, porque sabemos exactamente aquilo em que somos excelentes.

A genialidade é como as novas bactérias, e por isso é temida como uma doença, porque mais do que soluções faz emergir contaminmantes problemas.

Não necessitamos de uma história de arte, como um épico de conquistas idiotas, mas a fábula que nos mostra porque é que determinadas obras de arte são mais vivas e nos fazem viver mais.

O artista é como um agente duplo suspeito de pactuar com a poesia e com o poder que a destroi.

A história de arte é suspeita porque o critério biológico ou tecnológico de progresso não é aplicável. Podemos no máximo falar de um «progresso mimético» desejável.

A arte não artificializou o mundo, mas o mundo (neste pequeno planeta) artificializou-se como espelho negativo da arte (enquanto algo biológicamente exuberante). A arte insere-se cada vez mais nessa artificialização como molécula normalizada de um meio. Temos no entanto que admitir que o artista, não como infantil transgressor, mas como propagador de exuberantes rizomas, ainda é ecológicamente imprescindível. Por isso a história de varte segue mais padrões de cansaço ou de compensação do que supostas necessidades morais ou um padrão linear de emancipação. A emancipação pode ocorrer pontualmente, mas nunca como fatalidade histórica, porque a emancipação é a mais profunda imanência. Mesmo quando o nega.

Saturday, October 28, 2006


Toda a experiência religiosa ou mística sem arte degenera em fanatismo. Quer a arte quer a religião são estados hipnóticos, intoxicantes, ilusórios. Mas são o único antídoto para todos os profetas da desilusão, para todo o miserabilismo realista - venha condimentado de ciência, de farda política ou de religião putitana. Leia-se como complemento irónico o verdadeiro, inefável e autêntico gangster. Antidoto? Quem sabe.

Tuesday, August 01, 2006

tretoterismo/tretaterismo?


Todos os profetas, gurus e semelhantes manipuladores de carenciados discipulos são falsos, começando nos mais veneraveis mestres como Buda, Jesus, até aqueles que a história não soube disfarçar tão bem como Ôsho ou Shabaatai Zevi. No entanto não duvidemos nem da sua eficácia circunstâncial nem nos milagres «reais» que ocorrem graças à canalização ocasional ou técnicamente competente de uma prática prestigiada.

É neste sentido que pretendemos substituir numa perspectiva POLIATEÌSTA o sururú religioso por uma vaga TRETATÉRICA. O marketing também faz o milagre, e a graça que S. Paulo invoca como legitimação religiosa também pode caír sobre qualquer um de nós como uma piada de mau-gosto. Na verdade somos todos santos, iluminados e outras tretas do género. O buda em nós, por mais que o matemos procurando-o, só morre com a nossa morte. A eficácia da treta espera a nossa fé, devoção, preces, rituais patéticos ou sanginários e outras saladas mentais.

Sunday, July 30, 2006

tias dadaístas


Nem todas as tias são dadaístas mas há muitos sábios que têm o seu espetáculo de gangsterismo de variedades.