Thursday, September 13, 2007

Tratactus paralogico-sophisticus (em resumo)






1. O mundo é tudo o que se apresenta/ausenta enquanto acaso (casualmente!).

1.1. O mundo é onde acontecem as metamorfoses, é o ornamento que exprime a factualidade e a fractalidade.

1.1.1. Sendo a possibilidade de enunciação dos factos (e dos não-factos) infinita e o número de coisas e particulas existente finita, a «totalidade dos factos» não passa de uma suposição monstruosa que é impensável. O acaso é a determinação/indeterminação das singularidades na não-totalidade. A categorização permite a aproximação às versões do acaso e dá uma certa forma aos nexos de causalidade.
1.1.2. A singularidade das causalidades revela que o acaso atrai nexos ocasionais.
1.1.3. As emergências nos enunciados paralógicos são o Mundo.

1.2. O mundo pode ser decomposto em múltiplas séries.

2. O acaso é o conjunto de morfologias apreensíveis de evidências (representações) metamórficas.

2.0.1. Cada emergência reproduz e reduz a sua frequência / ocorrência dentro de determinada série.

2.0.1.1. As evidências de cada emergência fazem apelo a outras evidências e emergências dentro da mesma série.

2.0.1.2. A acidentalidade torna-se evidente nos nexos seriais, mas a complexidade das emergências não determina nem uma ordem «lógica», nem faz apelo à legitimação do acidental.

3. A imagem congruente do metamórfico representável deixa-se apreender parcialmente nas casualidades dos enunciados. Todo o pensar só é pensar enquanto propensão imagética ou predação enunciante.

4. A expressão do pensar é uma vontade comunicante que pressupõe uma rede de enunciados nem sempre coerentes, aparentemente interligados por uma linguagem e um corpo de imagens. Pensar é accionar metáforas internas. A forma desse campo metamórfico é o estilo.

5. A forma proposicional é uma postura «falsificante-ilusionista» de enunciados tendencialmente simples.

6. A suposição de um conteúdo de verdade pode sêr substituida pela de projecção de plausibilidades. As proposições podem serializar ou sequênciar determinados projectos de plausibilidade.

7. Do que não podemos falar devemos recorrer a algo que não apenas o silêncio.



A ética e a estética não são um, como dizia Wittgenstein no seu tratado. A vida do criador (artista-filósofo: sofista!) deve sêr exemplar. As suas obras também. Mas o conteúdo aparente das obras segue frequentemente atracções que são alheias ao comportamento do produto face a si e ao seu meio. As obras devem expôr a «experiência descondicionante», a liberdade, sem entraves morais. As obras de arte não encontram obstáculos para a concretização da felicidade. A ética, pelo contrário, é a teoria da gestão desses obstáculos. Por outro lado, uma estética implica a sua própria multiplicação. Uma obra pode exigir várias teorias. Deve-se falar de «estéticas». A ética incorre no perigo de confundir-se com a intencionalidade. Mas aí a estética e a ética só podem sêr entendidos com acção teórica. Nesse caso ética e estética fundem-se, menos pela intencionalidade e mais pelas tentativas de imanência, de encarnação. Formam um «corpus» e tentam reconhecer-se nele. Óbviamente que a vida do artista não é alheia à obra e contamina-a parcialmente. Mas isto é um fait-divers. A obra expressa exemplarmente a essêncialidade de que a ética é incapaz. E, dentro de uma certa perspectiva, a obra oferece o artista ao mundo com uma radicalidade de que as biografias só mostram a impotência.

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